A História por detrás da história.
1988-2006, 18 anos em produção.

Esta area contém apenas uma pequena colecção de imagens referentes ás várias versões desta história que foram sendo criandas ao longo dos anos.

Versão ORIGINAL criada em 1988
As primeiras páginas alguma vez desenhadas.

Estas primeiras trés imagens que aqui podem ver foram as primeiras páginas alguma vez criadas há muito tempo atrás por volta de finais de 1987, início de 1988. Eu tinha acabado de ler o Hobbit nessa altura e queria tentar criar uma história de fantasia que não envolvesse personagens humanos. O género de Fantasia era na altura algo completamente fora de moda e até mesmo desconhecido do grande público em Portugal por isso achei que seria interessante criar algo assim e tentar faze-lo em Banda Desenhada apenas para ver se o conseguia fazer.

A minha grande influência não foram no entanto os romances de Tolkien mas sim os albuns de banda desenhada de Asterix (Gosciny & Uderzo). Sempre adorei o estilo de humor daquelas histórias e pensei em tentar criar algo dentro do estilo mas adaptado a um mundo de Fantasia. Neste caso o meu mundo pessoal de Thorondor. Um mundo muito inspirado pelo Hobbit, pelos livros da trilogia de Terramar (Ursula Le Guin) mas especialmente pelo romance “A História Interminável” (Michael Ende). Curiosamente, gráficamente a minha grande influência no que toca a ilustração sempre esteve também relacionada precisamente com o filme “The Neverending Story” adaptado em 1984 do livro de Michael End. A primeira imagem da Ivory Tower presente nesse filme moldou para sempre o meu estilo de desenho pois sempre tentei evoluir no sentido de um dia também criar uma paisagem assim.
Embora como podem constatar pelas imagens abaixo, em 1988 as minhas capacidades ilustrativas ainda não estivessem particularmente desenvolvidas, desde logo a minha intenção foi sempre a de tentar criar uma banda desenhada onde pudesse imaginar paisagens e geografias.
Portanto esta história do Principe Ziph nasceu da intenção de criar algo humorístico dentro do género de Fantasia, mas que me permitisse usar as minhas paisagens por muito ingénuas que elas ainda fossem nesta altura. O que aqui vêem abaixo foi então a minha primeira tentativa. Um teste a tudo e mais alguma coisa...inclusive no que toca ao uso da côr.

A minha primeira tentativa de colorir uma página de Bd, ocorreu precisamente aqui com a segunda página deste teste original de 1988. O que vêem abaixo foi colorido com os piores lápis que na altura se encontravam no mercado, mas permitiu-me ter uma ideia de como poderia vir a utilizar a cor dentro desta história.

Nesta altura, eu já tinha uma ideia para a história, tinha duas páginas desenhadas sem saber bem como, mas continuava a precisar de encontrar o meu personagem, “estilo Hobbit”. Nomeadamente um boneco que não fosse propriamente humano. Até porque logo desde o início tinha tido a ideia de situar este mundo de fantasia, num Marte muito antigo e queria arranjar um estilo de “marciano” que ainda ninguém tivesse visto.
Foi assim que surgiu o meu personagem do Principe Ziph. Precisamente na página numero trés que podem ver abaixo. O Ziph que ali está foi precisamente a primeira imagem que desenhei. Já nesta altura nunca fazia testes e o boneco foi desenhado no momento quando precisei dele.
A ideia era ter um personagem que fosse a antitese de tudo aquilo que um principe devia ser no que toca a protocolo. Sempre gostei de anti-herois e tentei com este boneco criar o meu próprio, mas dentro de um estilo humorístico que eu depois pudesse usar até para piadas menos politicamente correctas.

Já que a ideia era criar um anti-heroi que não fosse humano, pensei imediatamente em criar um boneco baseado numa aranha. Como a maioria das pessoas não gosta particularmente de aranhas, achei logo que seria interessante tentar criar uma “aranha” com personalidade suficientemente interessante para que as pessoas gostassem de acompanhar as suas aventuras.
Inicialmente o principe Ziph, chegou a ter oito pernas, mas cedo aquilo se revelou um verdadeiro caos para desenhar. Além de ser uma característica inútil para qualquer história que pudesse vir a desenvolver, por isso em breve Ziph ganhou as suas actuais quatro patas. Até porque assim perdia menos tempo a desenhar o boneco.

Tinha o personagem principal, mas agora precisava de um parceiro, pois normalmente este tipo de histórias que pretendia fazer, tem sempre dois herois. Inicialmente o mago da primeira página nem sequer tinha sido pensado para muito mais, mas subitamente achei que seria o parceiro perfeito para o principe Ziph, até mesmo porque gráficamente contrastavam bastante bem. Foi assim que o Mago se tornou o companheiro de viagem do Ziph.

Havia muito mais para contar, mas neste momento apenas refiro que esta primeira versão desenhada em 1988 apenas teve pouco mais de 25 páginas, mas foi nela que surgiram as bases para tudo o que está hoje criado á volta destes personagens.

SEGUNDA VERSÃO - 1992.
Primeira versão com a história completa e totalmente a preto & branco

A imagem que encontram abaixo, é a primeira página do primeiro remake da história original. Estavamos em 1992 e decidi fazer uma nova versão das aventuras do Ziph, porque apareceu um concurso de banda-desenhada e achei que para poupar tempo seria mais rápido para mim, voltar a trabalhar em algo que já tinha em mente do que tentar imaginar outra coisa nova á pressa para poder entrar na competição. E foi assim que nasceu esta versão.

Desta vez, a história ficou completa e tudo foi contado em 50 páginas organizadas visualmente como podem ver no exemplo abaixo. A ideia foi continuar a tentar jogar com os enquadramentos, mas mantendo sempre a mesma estrutura de vinhetas idênticas. Tinha visto algo parecido há muito tempo atrás num album do Lucky Luke e por qualquer motivo de que já não me recordo agora, devo ter achado que este estilo de representação era perfeito para a minha história. Na verdade sempre gostei muito do resultado final, pois foi sempre um desafio trabalhar nestes “ecrans” rectangulares.

Esta versão foi completada em pouco menos de cinco semanas e apesar de ter ainda um estilo bastante amador em mais de metade das suas páginas, acabou por ganhar um prémio especial no concurso de banda desenhada de Loulé nesse mesmo ano. Se calhar foi porque o máximo de páginas que se podia enviar era de 5 e eu enviei 50. Era impossível alguém não reparar em mim e devo ter ganho só pelo esforço e pela lata de não ter ligado a regras nenhumas na apresentação a concurso deste trabalho.
Esta versão acabou depois por ser publicada em algumas revistas na altura, mas eu próprio nunca fiz muita questão disso, pois tinha consciência do amadorismo da obra apesar do seu tamanho. A minha ideia foi sempre a de tentar evoluir artisticamente para num futuro incerto quando fosse a altura certa poder um dia criar a versão profissional que sempre desejei fazer.

Entretanto em 1993, a minha carreira profissional no Design Gráfico começou e a banda desenhada acabou ficando na prateleira. Afinal Portugal é um país pequeno e a banda desenhada , especialmente de fantasia, não pagava a conta da luz ao fim do mês.

1996 A PRIMEIRA VERSÃO A CORES

Nos intervalos da minha profissão enquanto desenhador gráfico, continuei sempre a tentar evoluir dentro do estilo de desenho de fantasia que queria produzir. Entretanto por volta de 1996, decidi criar esta nova versão, não só para testar isto em cores mas também para ver se conseguia dividir a versão de 1992 em vários episódios só para ver o que poderia fazer com a história caso surgisse uma possibilidade de publica-la algures.
Esta versão aproveitou grande parte dos desenhos originais da versão de 1992 mas acabou por me dar mais trabalho do que se a tivesse desenhado toda de início. Especialmente porque nesta altura andava a aprender a usar os lápis de côr e cedo me apercebi que pintar tudo dessa maneira não seria muito práctico nem o resultado gráfico final me agradava particularmente.

A única coisa particularmente relevante desta nova versão foi o facto de ter sido aqui que pela primeira vez encontrei as cores para os meus personagens. E já agora, o facto das cores presentes no Principe Ziph serem exactamente as da bandeira nacional de Portugal, foi apenas uma estranha coincidência que acabou resultando perfeita. Não foi nenhum acto patriótico da minha parte, isso posso garantir-lhes.

Ainda neste ano de 1996, os originais desta nova experiência foram-me roubados. Entrei numa nova competição de banda desenhada em Portugal que exigia o envio de originais. Entretanto o concurso foi cancelado e ficaram-me com as pranchas que tanto trabalho me deram. Viva Portugal.

2006 A VERSÃO NOVA E DEFINITIVA DESTA SAGA.

Após o desaire de 1996, dediquei-me quase exclusivamente á minha profissão no design gráfico e até ao final do ano passado (2005) nunca mais tinha pensado sériamente em voltar á banda desenhada.
No entanto, embora estando longe da banda desenhada, ao longo dos anos, á medida que ia evoluindo no meu traço e na minha técnica de ilustração, graças ao aparecimento da internet surgiu a oportunidade de me dedicar um pouco á ilustração, isto em part-time enquanto alternava com a vida profissional no design gráfico.
A internet permitiu-me diversificar contactos, trocar ideias e experiência com outros autores de ilustração de fantasia e fui construindo o meu portfólio discretamente á sombra da realidade portuguesa, da qual sempre tentei manter-me o mais independente possível no que toca a lobbys e compadrios.
Nos anos mais recentes, devido á minha participação activa na internet no que toca á participação em galerias virtuais, trabalhos em part-time e contactos diversos, fui recebendo cada vez mais pedidos para transformar as minhas ilustrações e esboços numa história de fantasia publicável.
As pessoas costumam dizer-me que muitas das minhas ilustrações parecem contar uma história e que adoravam saber qual é. É bom saber que esta característica dos meus desenhos é reconhecida mesmo sem eu nunca a ter referido, pois na realidade todos eles partem sempre de histórias que imagino antes e deveriam ser transformadas em banda desenhada se eu tivesse tido tempo para tal nos últimos anos. Até ao ano passado acabavam sempre por ficar apenas registadas para uso futuro dentro da minha imaginação.

Todos os meus desenhos que envolvem paisagens de fantasia, sempre foram concebidos com a intenção de servirem não só de esboços elaborados, mas também de anotações mentais para histórias que tenho imaginado ao longo dos anos com o objectivo de um dia as poder ligar e criar uma única história usando o mundo de Thorondor em que vive o Principe Ziph. Ou inclusivamente, publicar tudo num livro á parte centrando cada paisagem desenhada em redor de um mapa central. Afinal tenho vindo a mapear o mundo do Principe Ziph á anos, tanto na minha imaginação como no papel e como tal é uma questão de tempo agora até que esse projecto também vá para a frente. Especialmente após a publicação desta banda desenhada. Algumas dessas ilustrações poderão ser encontradas na minha página pessoal
www.luisperes.net

Entretanto, as pessoas continuavam a perguntar-me por bandas desenhadas baseadas nos “mundos” das minhas ilustrações. O acumular de sugestões e pedidos, fez com que em Outubro do ano passado (2005), eu me decidisse finalmente a colocar tudo o que tinha dentro da imaginação sobe a forma de uma novela gráfica. E nada melhor do que reunir de uma vez por todas tudo o que sempre pretendi fazer com a história das aventuras do Ziph e colocar mãos á obra.
Por isso neste momento, o meu velhinho teste de 1988, transformou-se na saga -
AS AVENTURAS DO PRINCIPE ZIPH-, para já “apenas” com 200 páginas, mas com muito ainda para contar em futuras sequelas que já tenho também na imaginação e que começarão a ser desenhadas assim que este projecto esteja todo publicado.

Como habitualmente, também esta versão foi criada tradicionalmente, usando lápis, aguarelas, acrílicos, pinceis e suor. Não tenho qualquer interesse em usar o computador para fazer banda desenhada porque depois de 14 anos de design gráfico, a última coisa que me interessa é ter de estar também em frente de um PC para criar as minhas histórias.
Portanto todos os meus trabalhos são e serão sempre criados tradicionalmente e o computador apenas será usado para efeitos de edição, colocação de legendas, etc.

Portanto para já esta versão definitiva das Aventuras do Principe Ziph já se encontra á venda.
Divirtam-se e comprem-me um exemplar de modo a que eu possa comprar material para desenhar as sequelas, visto que esta obra acabou com todo o meu stock de tintas, pinceis e afins.

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