Esboços originais feitos a lápis.
Se já leram o primeiro volume desta novela gráfica, devem reconhecer as imagens apresentadas a seguir pois são os esboços originais produzidos a lápis para algumas das vinhetas presentes na banda desenhada. Como não costumo usar borracha para apagar o que desenho, muitos dos primeiros esboços contêm algumas linhas de construção que se sobrepôem embora neste caso e de uma forma geral, grande parte das imagens até nem se apresentem confusas pois já as tenho planeadas na minha imaginação muito antes de as começar a desenhar. Porque quando não consigo criar algo no papel imediatamente, então é sinal que se calhar é melhor parar e voltar a tentar mais tarde. Se não tenho uma imagem bem nítida na cabeça, é como se não soubesse desenhar pois nunca conseguirei passar nada para papel

Se me acontece ter que fazer vários esboços numa folha para chegar a um desenho final, então é porque as coisas não estão a correr bem e de certeza a imagem que obterei nunca será a que gostaria. Ao contrário da grande maioria dos autores de Bd, não faço testes no papel mas sim na minha mente. Apenas quando tenho a imagem desejada e bem planificada dentro da cabeça é que a tento passar para o papel, o que acontece em minutos e está pronta para ser arte-finalizada. É por isso que estes esboços iniciais que aqui vêem são practicamente idénticos ao resultado final que aparece na banda desenhada.
A minha imaginação funciona como um filme e tenho que ter cada cena pensada antes de tentar desenha-la para ver se resulta. Acho que se pode dizer que penso no formato 16:9 e que depois edito cada sequência mentalmente para que caiba então no formato da banda desenhada e não há nada que mais goste de desenhar do que paisagens no estilo cinemático como a cena que podem ver abaixo.

Não costumo desenhar muitas cenas de interiores excepto quando preciso de as usar numa banda desenhada mas são sempre divertidas de criar apesar de serem mais complicadas de inventar do que as paisagens exteriores.
Só desenho algo quando tenho a imagem definida na minha imaginação, depois faço o esboço a lápis, passo a tinta e aplico a cor usando aquarela e acrilícos. Também nunca faço testes de côr no papel. Vou trabalhando os tons á media que dou côr á imagem até que esta fique com o estilo de “iluminação” que imaginei.

E da mesma maneira que nunca planeio nada para o aspecto gráfico, muito menos o faço no que toca á história que pretendo contar. Normalmente tenho uma ideia para o argumento, sei mais ou menos como começa e acaba, sei que no meio preciso de algo para manter o interesse e pouco mais sei. Á medida que vou desenhando, vou inventando então os pormenores do argumento. Acreditem ou não, habitualmente nem eu próprio sei o que vai acontecer na página que irei desenhar a seguir. Isto para muita gente será o caos absoluto e nunca resultará, mas
se eu já tivesse imaginado tudo em detalhe, jamais terminaria de desenhar uma história, porque o que me dá gozo nisto, é ir acompanhando eu próprio o destino dos meus personagens sem saber muito bem como tudo poderá acabar. Se eu tivesse tudo definido logo de inicio, a meio do trabalho ja estaria a inventar outra história e eventualmente perderia o interesse por desenhar o trabalho em mãos no momento, visto que na minha imaginação já tudo estaria terminado. Faz sentido ? É assim que trabalho e penso que não me tenho dado mal.
As mais de 200 páginas desta novela gráfica foram todas obtidas com este método e as próximas da sequela certamente serão criadas da mesma maneira.

Esta novela gráfica - As aventuras do Pricipe Ziph” ,agora com 200 páginas, é na realidade já a quarta versão (e meia) da história que fui imaginando e modificando ao longo dos anos embora nenhuma seja realmente idêntica á anterior pois jamais voltaria a redesenhar tudo o que já tinha feito sem perder o interesse pelo projecto.
Tive a ideia para o mundo de Thorondor por volta de finais de 1987, inícios de 1988, há quase vinte anos atrás. Na altura eu tinha 17 anos e andava a ver o que podia fazer com estas coisas da banda desenhada.
A primeira versão foi desenhada ainda em A4 e nunca foi completada tendo-se ficado por umas vinte páginas iniciais. A história era muito simples e ingénua mesmo dentro do género da fantasia e no seu todo algo muito diferente da actual versão de 2006, no entanto a ideia da busca pelo Livro Mágico foi algo que já existia no argumento. A Cidade dos Ladrões também já lá estava embora com um papel totalmente diferente do que agora tem nesta versão moderna a qual se reportam os esboços presentes nesta página, recordo.
Podem saber mais detalhes sobre as várias versões noutra area deste website.

Entretanto aos 22 anos comecei a minha carreira profissional no Design Gráfico e a banda desenhada foi ficando para trás porque o tempo não dava para tudo e a banda desenhada de fantasia não pagava contas. Catorze anos se passaram e entre design gráfico profissional e brincadeiras com desenho tradicional, fui discretamente fazendo umas ilustrações em part-time e também para consumo próprio. Muitas desta ilustrações sempre tiveram o secreto objectivo de me irem preparando artisticamente para mais tarde criar um dia uma verdadeira versão profissional publicável da minha velha história do Principe Ziph e todas elas representavam paisagens do mundo de Thorondor onde se passam as aventuras dos meus personagens. Thorondor que na realidade não é mais do que o planeta Marte milhões de anos no passado, sendo a história do Principe Ziph apenas uma das primeiras que pretendo fazer sobre o tema de um Marte antigo. Podem encontrar algumas dessas ilustrações no meu site pessoal em
www.luisperes.net ou neste site na area de ilustração.
Entre contactos na internet, apresentações em galerias virtuais e trocas de experiências com outros ilustradores, chegou uma altura em que muita gente me incentivou a finalmente tentar criar uma banda desenhada a sério e foi assim que em Outubro de 2005 meti mãos á obra sem nunca me passar pela cabeça que alguma vez iria obter 200 páginas desenhadas em vez das 45 que inicialmente julgava conseguir desenhar. Mas a minha imaginação foi mais forte e agora não só acabei com material para pelo menos quatro albuns de 50 páginas entre mãos como ainda por cima já tenho mais ideias para uma eventual sequela do mesmo tamanho.
Para esta nova versão de 2006, o conceito original da versão de 1988 manteve-se, mas o meio da história acabou por ser todo mudado porque entretanto surgiram novas influências, ideias e conceitos que decidi aproveitar.

Esta nova versão de 2006, manteve a maior parte dos personagens originalmente criados para a primeira versão de 1988, mas muitos mais foram agora aparecendo á medida que fui imaginando os novos acontecimentos presentes nesta nova versão. Como nunca planeio nada de uma história, o momento em que um personagem novo aparece é também para mim sempre uma surpresa, pois apenas crio um boneco quando preciso mesmo dele para fazer avançar o argumento e não o posso fazer com os persongens já existentes.
Fica aqui a curiosidade de que eu detesto desenhar bonecos...o que pode ser uma afirmação estranha para quem acabou de desenhar 200 páginas cheias deles...
Não costumo planear o aparecimento de um personagem, mas o boneco abaixo foi uma excepção. Passo a explicar.
Esta nova versão de 2006, deve muito do seu espírito, ideias e argumento a algo que adoro, e que é a chamada - Talk Radio - americana. Adoro Talk Radio, e passo centenas de horas a ouvir programas deste estilo de rádio enquanto trabalho. E não há nenhum que mais goste do que o
Coast to Coast AM. Este é um programa de entrevistas absolutamente fascinante, pois por ele passam desde os temas paranormais mais estranhos até á ciência mais dita séria, com convidados que vão desde um gajo que diz que o Elvis vive no seu frigorifico até cientistas de renome como Michio Kaku ou Arthur Clarke. São horas e horas de programas sobre fantasmas, ovnis, arqueologia, astronomia, exploração planetária e fisica quântica entre muitos outros temas. Este programa foi criado ha quase vinte anos por um veterano da rádio americana chamado Art Bell e hoje em dia é também apresentado por um outro bom profissional da comunicação chamado George Noory entre mais outros apresentadores que se alternam entre eles.
Isto para dizer, que este programa teve uma influência enorme no argumento desta nova versão das Aventuras do Principe Ziph. Graças a ele a minha imaginação disparou e subitamente a história passou de 50 para 200 páginas. É dificil vocês compreenderem o porquê sem conhecerem o Coast to Coast, mas se forem fãs do programa ou ouvintes habituais, então lerem a minha novela gráfica será como uma caça ao tesouro e podem divertir-se a tentar encontrar todas as referências que deixei espalhadas ao longo da história.
O personagem da imagem abaixo, surgiu porque eu precisava de um meio de explicar algumas coisas em pontos chave da aventura e achei que a maneira mais adequada seria a de usar algures um locutor de rádio comentando o que se ia passando. Como tal, nada mais justo do que basear o personagem em George Noory, até porque tem o bigode perfeito para caricaturar...e pode ser que não me processe por fazer isto.

Todas as minhas ilustrações e bandas desenhadas são produzidas tradicionalmente com muita agua e tinta. Não faço nada com computadores a não ser aplicar as legendas e limpar as pranchas para impressão. Não tenho nada contra quem usa o digital para criar imagens, mas a mim isso não me interessa pois se o fizesse não me sentiria a desenhar verdadeiramente. Prefiro trabalhar com tintas e arriscar acidentes, pois torna o processo mais divertido. Além disso, depois de 14 anos a trabalhar em design gráfico com computadores oito horas ou mais por dia, a última coisa que quero é usa-los também para banda desenhada. Aliás , só o facto de ter que estar aqui neste momento a produzir este website já me aborrece de morte e mal posso esperar para acabar isto e voltar para a banda desenhada.
 

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